Ainda compondo a programação do segundo mês da Mostra de Artes, na sede da Trupé (Rua Dr. Nogueira Martins – 457 – Centro Sorocaba), acontecerão as oficinas temáticas. Serão 04 diferentes com duração de 03 horas cada. Ministradas pelos orientadores dos Núcleos de Pesquisa 2017, cada uma delas oferecerá gratuitamente, ao público interessado, 20 vagas. Abaixo segue resumo de cada uma:

30/09 às 14:30 – Oficina Temática Improvisação – Campo de Visão
Coordenação de Marcelo Lazzaratto

O “Campo de Visão” é uma técnica de treinamento para o ator, desenvolvida há 20 anos por Marcelo Lazzaratto. Como diretor artístico da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico há dezesseis anos vem, juntamente com os atores, sistematizando o Campo de Visão em processos de treinamento e na construção poética dos seus espetáculos. O Campo de Visão é a base da pesquisa da Cia. Elevador e estrutura central das suas criações cênicas. Se tornou linguagem cênica em 2003 com o espetáculo processual “Amor de Improviso” e em 2012 se consolidou com “Ifigênia”, adaptação e Cássio Pires sobre o original de Eurípedes para a Cia. Elevador. Além disso, o Campo de Visão foi objeto de Mestrado de Marcelo Lazzaratto na UNICAMP, em 2003, e lugar de onde nasceram as reflexões de seu Doutorado a respeito da interioridade do ator, em 2008. Essa Oficina visa compartilhar os procedimentos e instrumentalizar os interessados nesse sistema de improvisação que potencializa o ator porque o estimula a tornar seu corpo um corpo-perceptivo. Este workshop tem como objetivo instrumentalizar os participantes com este sistema de trabalho em que se pesquisa, em linhas gerais, a relação entre indivíduo e coletivo, forma e conteúdo, essência e aparência. Este procedimento objetiva a ampliação da visão periférica e da percepção do outro, desenvolve a noção espacial, ativando e articulando um estado de concentração poética em que Razão e Sensibilidade se interseccionam livremente. Exercício improvisacional, o Campo de Visão basicamente permite que a partir do outro, o ator amplie seu potencial criativo, sua gestualidade, enriqueça sua visão de eventuais “personagens” evitando cristalizações pré-concebidas, além de propiciar um mergulho cada vez mais profundo tanto em sua interioridade quanto no universo a ser criado. Deste modo, o “Campo de Visão” é um trabalho essencial e complementar a qualquer processo criativo, pois foca diversos aspectos próprios à criação teatral.

08/10 às 15h – Oficina Temática – Quando fui ponte: construindo dramaturgias da empatia
Coordenação de Ronaldo Serruya

A oficina Quando fui ponte: construindo dramaturgias da empatia, voltada para atores dramaturgos, estudantes de teatro, artistas de variadas searas ou apenas interessados em participar de uma experiência artística tem como eixo inspirador a ideia de apropriação de discursos, manifestos, relatos de vida, que ao longo da breve história dos séculos XX e XXI tentaram dar conta de refletir a ideia de experiência e do outro como continuidade de mim. O objetivo aqui é realizar um trabalho de arqueologia das referências que compõem o inventário afetivo de cada participante e com esse material, através de vários procedimentos e provocações, traçar um percurso cênico, uma estrutura dramatúrgica, um ato performativo que nasce da apropriação de um relato que valide o meu lugar do mundo através da alteridade. É de trazer à tona aquilo de que somos feitos no tempo que se encarrega a proposta do trabalho. É da possibilidade de encontro e da força da empatia que o artista discorre em suas reminiscências. Da ideia que nossa potência como artistas se dá no cruzamento com potências outras e vice-versa. Nesse encontro de corpos, de linguagens e pensamentos e reflexões artísticas aos poucos os participantes da Oficina se transformam, amadurecem, e sobretudo se AFETAM, extraindo desse verbo e desse ato a ideia de CONTAMIÇÃO como um significado mais afirmativo do que comumente costumamos fazer uso. UM modifica as ambições artísticas do OUTRO. É na PONTE que os artistas se afirmam e se complementam. A oficina se inspira na ideia do encontro entre artistas/ atores/ performers/ dançarinos/ fotógrafo, mas quer ir além: pretende criar, através da ideia de compartilhamento e alteridade uma vasta gama de material audiovisual, dramatúrgico, um compêndio de afetuosidades, para que com isso possamos elencar um roteiro, um programa performativo que define percursos, estradas e vias. Cada participante através de suas próprias linguagens, uma vez que a oficina está aberta à artistas de variadas searas, tentará criar um certo tipo de biografia (visual, musical, literária, etc.). As perguntas propostas na oficina nortearão os procedimentos e pesquisas a serem feitas: quando em nossas vidas tivemos um encontro de afeto que mudou a nossa rota? O quê ou quem alterou o percurso? Quais foram os meus elementos inspiradores? Quando fui CONTAMINADO pelo outro? Qual hibridismo posto em minha obra é de fato rastros do OUTRO? Quantas músicas, imagens, poesias permeiam meu traçado artístico? Eu sou eu, mas eu também sou quantos outros? A oficina se valerá de textos e referências de vários autores, pensadores, filósofos e artistas que em suas reflexões, manifestos e obras pensaram a ideia da alteridade, tais como; Simone de Beauvoir, Mia Couto, Ernesto Sábato, Patti Smith, Martin Luther King, Dali, Paulo Freire, Eduardo Galeano, Amós Oz, Malala, Beatriz Preciado, Svetlana Aleksiévitch, entre outros.

21/10 às 19h – Oficina Temática – Dramaturgia “Eu, Tu, Ele – Nós, Vós, Eles”
Coordenação de Adélia Nicolete

Como a fronteira entre o real e o ficcional é muito tênue, esta oficina pretende dialogar com os polos ficção x realidade. Assim, a partir de fotografias, objetos e depoimentos (gravações) pessoais, os participantes serão provocados à criação de Dramaturgia Concisa em Primeira Pessoa. A oficina será dividida em 4 momentos, a saber: Primeiro momento – Apresentação Narrativa de seus Materiais de Pesquisa e o levantamento de questões como: O que é material? Como atender a Lei do Material? O que é tomada de decisão referente aos materiais investigados? Segundo momento – Como lidar com a ficção a partir de dados pessoais/históricos? Como ultrapassar a história oficial? Como localizar a poética na realidade cotidiana? Como as histórias de nossa imaginação dialogam com os fatos reais? Terceiro momento – Exercício de Dramaturgia: Primeira x Terceira Pessoas – O autor como Narrador. A cena que transita entre a narrativa em primeira e terceira pessoa. Como fazer a passagem da narrativa em primeira para terceira pessoa? Provocações em escrita criativa. Quarto Momento – Leitura e comentários dos exercícios dramatúrgicos sempre em perspectiva crítica, que favoreça aos participantes avançar em seus projetos de dramaturgia.

22/10 – às 10h – Oficina Temática – Deriva Dodecafônica
Coordenação de Verônica Veloso

Intitulada Deriva Dodecafônica a oficina propõe experimentação em intervenção e performance urbana. Para a investigação, o projeto utilizará o entorno da sede da Trupé de Teatro. A oficina é dedicada a interessados em “ocupar ou pensar a rua como espaço de ação”. “A proposta tem como objetivo experimentar o corpo e a voz em ações artísticas na rua. Os encontros serão realizados em torno de uma coleção de procedimentos organizadas por Verônica. Alguns dos objetos da pesquisa são: análise de performances e intervenções urbanas realizadas por outros artistas e coletivos; busca por novas configurações de dispositivos de jogo, inspirados em performances e intervenções pré-existentes, a fim de realizar ações artísticas em espaços públicos; errância para sensibilização ao espaço urbano: busca por trajetos para a intervenção e enquadramentos para a realização das ações artísticas; busca de recortes espaciais ou pontos específicos da cidade de onde observar teatralidades e coralidades imanentes da esfera pública; exploração de deslocamentos variados, modos, pausas e temporalidades; composição de coralidades no espaço público.

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