Teaser: Do que se chama Ventre

Nascido de fragmentos do espetáculo “Um dia o Raio caiu e o baixo Ventre da Cidade se abriu”, apresentado pelo grupo no final do ano passado, a nova montagem aprofunda algumas questões da pesquisas do processo anterior. Fala das vontades de ir e ficar, das passagens, viagens e anseios de seres que, por algum momento, tem um instante de raio, de reflexão sobre a vida, sua condição e tudo o que os rodeiam.

Quatro mulheres, quatro facetas, quatro mães, esposas, loucas e adivinhas. Mulheres destinos, ventres, vontades…

A partir de um olhar sensível e profundo na obra “Édipo Rei” de Sófocles, a Trupé de Teatro propõe uma investigação pelo universo da personagem Jocasta, mãe e esposa, rainha e testemunha de tantas desgraças. Assim amplia a personagem colocando a mulher coadjuvante como protagonista dos conflito ocorridos.

Para isso divide a Jocasta em quatro faces. A Mãe, que sabe do seu difícil destino, ser a mãe da humanidade, o útero da espécie, colocando para fora coisas boas e coisas ruins, irmãos que matam, que se matam. A Esposa, criada para seguir o marido, reproduz formas pré-estabelecidas por uma visão decadente de organização social. Esta aprende com a filha a difícil tarefa de ser mulher, de se ver e se ter. A Cigana, que carrega o destino, a sensibilidade e a esperteza, que sabe das coisas da vida Sabe de sua maldição, seu destino. A Louca, mulher, mãe, esposa e cigana num turbilhão de coisas e fatos. Leves desiquilíbrios diários, semanais e mensais… O insano trabalho de se viver.

O Ventre – por Débora Brenga

Quando cinco mulheres e suas vozes representativas da polifonia do feminino se situam no mesmo espaço, é na caverna escura e úmida que elas se encontram. É nesse lugar germinador de toda a humanidade, tão antigo, quanto a gênesis do mundo e a invenção da guerra, que elas tecem a manta da vida, a trama do homem. Se não há fêmea sem útero, logo, não há mulher que não carregue em si, desdobramentos de Jocasta. Por ser ao mesmo tempo universal e particular, pessoal e intransferível, “Do que se Chama Ventre” pode ser a sua passagem secreta, o seu portal, a sua chama acesa que te leva ao retorno às entranhas da Mãe.

Ficha Técnica

Texto Final: Débora Brenga

Direção: Carlos Doles

Iluminação: Victor Motta

Figurino: Felipe Cruz

Cenário: Jaime Pinheiro

Vídeos e Foto: Adriano Sobral

Elenco: Daniele Silva, Ketlyn Azevedo, Laura Guedes, Vanessa Soares e a menina Rebeca Coutinho.