Baseada na mitológica história do nascimento de Cristo, a peça narra a história de três andarilhos que esperam a chegada de algo que nunca vêm, algo que desejam rever. Com suas crenças, dúvidas, medos e anseios, essas personagens, moradores das praças e ruas do mundo, se encontrar com o único objetivo de esperar. Enquanto esperam, um jovem casal de músicos mambembes corre mundo com o intuído de levar sua música e sua arte, mas é surpreendido no caminho por uma inesperada surpresa, uma gravidez. Assim, quem espera e quem é esperado poderão enfim se reencontrar e rever o que tanto precisam, renovando esperanças e reiniciando ciclos.

A montagem busca recriar o clima e a mística dos autos de Natal, usando como pano de fundo a cultura popular brasileira e a própria saga da Trupé e de tantos outros grupos teatrais e artísticos do Brasil, que a duras penas tentam sobreviver de seu mágico oficio. Busca manter um dialogo entre a mística história, o fazer artístico, os ocupantes das ruas e praças e a poética do urbano e de seus moradores.

O espetáculo tem como base de sua concepção a linguagem do teatro popular e da rua. Inspirados em autores como Samuel Beckett, Luis Alberto de Abreu, Willian Shakespeare, o texto foi finalizado por Carlos Doles baseado nas pesquisas e improvisações dos atores do grupo em um processo colaborativo de construção dramatúrgica e cênica. Carlos Doles também assina a direção que tem como assistente Ketlyn Azevedo que também é a figurinista da montagem. Canções da Musica Popular Brasileira permeiam o espetáculo, que tem Luiz Gonzaga como fio condutor da trilha.